
Com a união de forças nos mercados de busca e publicidade na internet, empresas podem conseguir competir com o Google. Acordo foi fechado para os próximos 10 anos

O GOOGLE É O INIMIGO
Os presidentes-executivos Carol Bartz (à esqueda), do Yahoo, e Steve Ballmer (à direita), da Microsoft, conseguiram enfim chegar a um acordo para concorrer com o Google, mais de um ano depois da proposta de compra recusada pelo Yahoo
Microsoft e Yahoo anunciaram nesta quarta-feira (29) uma parceria em mecanismos de busca e publicidade na internet, com o intuito de aumentar a capacidade das empresas de concorrer com o Google. No acordo, a Microsoft vai transformar a tecnologia do Bing na ferramenta de buscas padrão nos sites do Yahoo, que receberá 88% dos lucros de publicidade gerada por buscas nos próximos cinco anos. O Yahoo também será responsável pela negociação de preços e promoções com grandes anunciantes. A parceria foi fechada para um período de 10 anos, o que, no mercado da internet, é um tempo bastante longo – o Google, por exemplo, foi fundado em 1998.
O Bing recebeu diversas críticas favoráveis desde que foi apresentado, no início de junho, mas no primeiro mês de existência apenas 8,4% das buscas feitas nos Estados Unidos utilizaram o novo site – em maio, quando ainda se chamava Live Search, a ferramenta da Microsoft já tinha 8% do mercado. Junto com o Yahoo essa fatia pode subir para 28%, o que ainda não se aproxima do Google, que representa 65% de todas as buscas realizadas na internet americana, mas que já dá mais visibilidade a uma ferramenta que levava jeito para ser apenas uma provocação na guerra entre Microsoft e Google. Steve Ballmer, o presidente-executivo da Microsoft, afirmou nesta quarta que o acordo com o Yahoo vai criar “uma opção de escolha para o consumidor em um mercado dominado por uma única empresa”.
O acordo fechado nesta semana é bem mais pragmático do que a proposta de compra feita no ano passado pela Microsoft, que ofereceu US$ 44,6 bilhões (R$ 84,3 bi) pelo controle do Yahoo. Os desdobramentos da recusa da venda causaram a queda do co-fundador da companhia Jerry Yang do cargo de presidente-executivo, no qual foi substituído por Carol Bartz, que trabalhava desde 1992 na Autodesk, empresa líder de mercado no desenvolvimento de softwares de arquitetura, engenharia e construção civil. A estratégia de Bartz no comando do Yahoo é trabalhar com as principais forças da companhia, que são, na opinião dela, a produção de sites de conteúdo e o mercado de publicidade on-line.
Uma parceria entre o Google e o Yahoo foi cogitado em 2008, depois que a Microsoft falou em adquirir a companhia, mas em Novembro o Departamento de Justiça dos EUA foi contra o acordo, o que encerrou as negociações. O Google também é líder no mercado de publicidade na internet, de onde vem a maior parte de sua receita, e o site google.com, que é apenas uma ferramenta de busca, tem 3,5 milhões de visitantes mensais a mais que o yahoo.com, que é também um portal de conteúdo e o caminho de acesso para os usuários do email da companhia. Microsoft e Yahoo afirmaram que o compartilhamento de informações sobre usuários será reduzido ao “mínimo necessário”.
Fonte: revistaepoca.globo.com
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