
O presidente Lula cometeu, no mínimo, duas impropriedades, recentemente, ao “defender” Sarney em pronunciamento público.
A primeira impropriedade foi a de qualificar o velho Senador como criminoso, a quem falta unicamente tipificar o crime. O que a opinião pública pede é que se examinem os comportamentos passados e presentes do maranhense não fazendo nenhum prejulgamento de sentença. Até hoje, o que se leu e se ouviu foram senadores pedindo que renuncie ou, no mínimo, se afaste da presidência do Senado para que se possa investigar se Sarney cometeu ou não algum(ns) crime(s). Lula se antecipa e afirma que os “crimes” de Sarney não podem ser equivalentes a latrocínio e semelhantes.
A segunda grande impropriedade de Lulla foi a de pedir ao Ministério Público cautela com a biografia do investigado. É chover no molhado dizer que em uma república todos somos iguais e que pedir uma justiça diferente é um tratamento dado às elites. Aliás, uma das grandes reclamações que se fazem à Justiça brasileira é que, em função do nosso modelo cartorial, as pessoas ricas nunca são presas porque, enquanto houver uma instância de recurso, ninguém é culpado e o dinheiro, certamente, estica os prazos, não raras vezes, até a perempção do crime.
Lula não pode se açodar na defesa de Sarney, sob pena de ter seu comportamento confundido com prévia defesa de seus atos que, um dia, serão julgados. E, por falar em crime, o que seria mais sério: alguém que rouba alguma coisa de alguém (o larápio comum) ou alguém que rouba de um público em geral?
N.E.: Artigo de referência “É preciso saber o tamanho do crime”, diz Lula sobre Sarney. Folha de S. Paulo, 24.07.09
Fonte: www.institutoliberal.org.br – Arthur Chagas Diniz (Presidente do Instituto Liberal)
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