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Os “crimes” de Sarney

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O presidente Lula cometeu, no mínimo, duas impropriedades, recentemente, ao “defender” Sarney em pronunciamento público.

A primeira impropriedade foi a de qualificar o velho Senador como criminoso, a quem falta unicamente tipificar o crime. O que a opinião pública pede é que se examinem os comportamentos passados e presentes do maranhense não fazendo nenhum prejulgamento de sentença. Até hoje, o que se leu e se ouviu foram senadores pedindo que renuncie ou, no mínimo, se afaste da presidência do Senado para que se possa investigar se Sarney cometeu ou não algum(ns) crime(s). Lula se antecipa e afirma que os “crimes” de Sarney não podem ser equivalentes a latrocínio e semelhantes.

A segunda grande impropriedade de Lulla foi a de pedir ao Ministério Público cautela com a biografia do investigado. É chover no molhado dizer que em uma república todos somos iguais e que pedir uma justiça diferente é um tratamento dado às elites. Aliás, uma das grandes reclamações que se fazem à Justiça brasileira é que, em função do nosso modelo cartorial, as pessoas ricas nunca são presas porque, enquanto houver uma instância de recurso, ninguém é culpado e o dinheiro, certamente, estica os prazos, não raras vezes, até a perempção do crime.

Lula não pode se açodar na defesa de Sarney, sob pena de ter seu comportamento confundido com prévia defesa de seus atos que, um dia, serão julgados. E, por falar em crime, o que seria mais sério: alguém que rouba alguma coisa de alguém (o larápio comum) ou alguém que rouba de um público em geral?

N.E.: Artigo de referência “É preciso saber o tamanho do crime”, diz Lula sobre Sarney. Folha de S. Paulo, 24.07.09

Fonte: www.institutoliberal.org.br – Arthur Chagas Diniz (Presidente do Instituto Liberal)

Política – A fábrica de ‘pizzas’

sexta-feira, 17 de julho de 2009

 O presidente Lulla, justamente preocupado com a cada vez mais longínqua possibilidade de abertura da caixa preta da Petrobras, alcunhou de pizzaiolos os senadores oposicionistas (?). Ora, se não há dúvidas de que tanto senadores do PMDB quanto do PT, do DEM e do PSDB, além de nanicos, usufruíram das generosas e indecentes ações patrimonialistas oriundas dos atos secretos do Congresso (incluído aí o nepotismo), a adjetivação presidencial pareceu ser mais conseqüência de um exagero etílico do que um juízo de valor.

A elevadíssima popularidade do Presidente e o reconhecimento público de que valores éticos não são relevantes para a maior parte dos eleitores têm conduzido Lulla à confraternização com políticos cuja notabilidade se deve à escassez de valores morais. Isto, no entanto, tem levado a vertente ética do PT (que existe) a um drama sem fim. Gente que acredita que os fins justificam os meios está preocupada com o efeito demonstração, propiciado pelo Presidente, de que os fins (enriquecimento) justificam os fins (Poder).

Ao tentar inocentar Renan e Sarney, Lulla diz ao PT que não importa o que fizeram secretamente. A nomeação do octogenário suplente de Sérgio Cabral para presidir o Conselho de Ética e o pré-julgamento que este último já fez dos “Atos Secretos” é mais do que uma evidência do modelo em marcha. É inegável que Lulla está liquidando o PT e que ele é, justamente, o fabricante das pizzas.

Fonte: Instituto Liberal – Arthur Chagas Diniz (Presidente do Instituto Liberal)