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Iceberg gigante ameaça se desprender da Antártida

Um gigantesco iceberg – que seria um dos dez maiores do mundo – pode se desprender a qualquer momento da Antártida e gera preocupação, dizem cientistas.

Imagem feita pela Nasa da imensa fenda na plataforma Larsen C, na Antártica. (Reprodução/Nasa/Divulgação)

Uma imensa rachadura em uma das cinco maiores plataforma de gelo da Antártica cresceu significativamente nos últimos sete dias, a um passo de originar um gigantesco iceberg. Segundo relatório divulgado pelos cientistas nesta quarta-feira, a fenda na plataforma de gelo Larsen C aumentou 17 quilômetros entre 25 e 31 de maio – o maior avanço desde janeiro. Com isso, apenas 13 quilômetros de gelo impedem que o bloco de 5.000 quilômetros quadrados se desprenda do continente e se torne um dos dez maiores icebergs do mundo.

A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.

Cientistas do País de Gales afirmam que o desprendimento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.

A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta do oeste da Antártida, impedindo a dissipação do gelo.




Os pesquisadores vêm acompanhando a rachadura na Larsen C por muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de colapsos das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.

“A ponta da fenda parece ter se virado significativamente para a frente da plataforma, indicando que o momento da ruptura está provavelmente muito próximo”, afirmaram em comunicado os cientistas do Projeto Midas, da Universidade de Swansea, no País de Gales, que monitora a rachadura por meio de imagens de satélites e radares.

De acordo com os pesquisadores britânicos, quando o iceberg se soltar, a plataforma Larsen C perderá mais de 10% de sua área e terá a maior retração já registrada. O desprendimento do bloco de gelo irá mudar fundamentalmente a paisagem da Antártica, e a nova configuração ambiental será menos estável.

Como o bloco de gelo flutuará, ele não deve causar aumento no nível dos oceanos – contudo, futuras rupturas causadas pelo desprendimento podem levar ao descongelamento de geleiras e, como a água dessas últimas são integradas aos mares, podem levar ao aumento do nível.

Project Midas/Reprodução

Aquecimento global

Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.

Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.

No entanto, permanecem preocupados sobre o impacto do desprendimento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B em 2002 aconteceu de forma muito semelhante.

“Estamos convencidos, ao contrário de outros, de que o restante da plataforma de gelo ficará menos estável do que a atual”, diz Luckman.

“Esperamos que nos próximos meses e anos aconteçam novas rupturas, e talvez um eventual colapso, mas isso é uma coisa muito difícil de prever”.

“Nossos modelos indicam que a plataforma ficará menos estável, mas não que desmoronará imediatamente ou qualquer coisa do tipo”, acrescenta.

Como vai flutuar no mar, o iceberg não vai aumentar o nível dos mares.

Mas novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que se desprenderiam em direção ao oceano. Uma vez que esse gelo não seria flutuante, o nível dos mares seria afetado.

Segundo estimativas, se todo o gelo da Larsen C derreter, o nível dos mares aumentaria cerca de 10 cm.

Há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.

“As prováveis consequências podem ser o colapso da plataforma nos próximos anos ou décadas”, prevê Luckman.

“Ainda que o impacto imediato não atinja os mares, trata-se de um grande evento geográfico que mudará a paisagem do continente gelado”, acrescenta.

Acompanhe o monitoramento do iceberg: Projeto Midas

Fonte: Veja / BBC

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